domingo, 9 de outubro de 2011

Post:7 - Defesa Pessoal (continuação)

A alguém certamente já questionou sobre por qual motivo a torre de Pisa, na Itália, mantém-se em pé apesar da inclinação para um dos lados. A resposta encontrada, descartando-se argumentos técnicos mais complexos, foi: há um ponto de equilíbrio mantendo-a firme apesar da inclinação. Como seria isso? Vamos tentar criar um esquema bastante simples abaixo, só para efeito visual:

O ponto de equilíbrio está no centro da torre (linha verde), separando igualmente os dois lados dela (massa A=azul e massa B=vermelha), eliminando as diferenças. O que pesa na parte superior do lado B(vermelho) é compensado pelo peso inferior do lado A(azul). Desta forma, há uma inclinação para um dos lados, sem dúvida, mas há compensação do peso na base da parte oposta, gerando um ponto de equilíbrio na massa total da torre, algo que certamente ajuda a mantê-la de pé.

Este post é uma continuação de:

Post:6 - Defesa Pessoal



Depois da alegoria (ou linguagem figurativa) acima, pergunto: O que mantém uma pessoa VIVA em meio ao elevado número de casos de violência que a cerca? Em outras palavras, quem está a salvo? Eu poderia encerrar qualquer argumento respondendo que : ninguém está a salvo, a não ser pela ausência dos fatores de risco.

O trabalho de segurança privada (assim como da segurança pública, só que de um modo todo peculiar) consiste de ações, mecanismos, procedimentos e práticas que visam afastar os fatores de risco. Por exemplo, quando caixas eletrônicos (auto-atendimento bancário) são instalados em um centro comercial, onde antes não haviam tais equipamentos, a presença de dinheiro em espécie(e não cartões de créditos, débitos e afins) atrai uma modalidade de crimes que acompanham estes sistemas. Junto com a instalação desses mecanismos surge o fator de risco e cria-se a demanda por adequação da segurança preventiva neste centro comercial.

Agora, quando voce trás isso para a questão pessoal, da segurança pessoal, necessário é identificar quais são os possíveis fatores de risco à pessoa. Que medidas eu adoto ao sair de casa, o que eu ostento que possa atrair uma nova modalidade de crimes, se eu me exponho, se meus hábitos mudaram, se para melhor ou pior, que lugares eu frequento ultimamente, são perguntas não desprezíveis para quem quer desenvolver uma postura comportamental que lide melhor com os fatores de risco.

Por exemplo: Voce chega em casa todos os dias no mesmo horário? Se sua rua é via de mão dupla, voce costuma chegar ao portão pelo mesmo lado da rua? Quantas vezes ao chegar em casa voce já desconfiou das pessoas em torno da área? Voce tem prestado atenção nas mudanças ocorridas na população (quem é morador novo, quem partiu, por que deixou de morar, que novos estabelecimentos foram instalados nos últimos meses), são perguntas oportunas. Claro, voce não precisa sair perguntando a todos, como se fosse um estagiário de jornalismo, é óbvio. Mas, ao menos já levantou estas questões a si mesmo?

 No meio da noite, enquanto vai pegar água na geladeira, ouça o silêncio e pergunte-se: o que me mantém a salvo de tudo aquilo que amanhã será manchete nos noticiários? A resposta talvez seja: eu estou bem porque, e simplesmente por isso, ninguém pretendeu até então ver minha pelo do lado avesso. Sim, voce não tem caso com ninguém e é por isso que ninguém urde nenhuma trama contra voce.  Caso contrário, sugiro que voce leia ou reconsidere, caso já tenha lido, o post de número 2.

Um dos fatores de risco à segurança pessoal diz respeito a "casos" de entreveros e situações de conflitos, dos mais variados níveis, com pessoas com as quais voce convive, levando-se em conta todos os graus de proximidade. Neste aspecto, como está o seu ponto de equilíbrio? Sua confiança é embasada numa análise sincera e acertada ou numa visão ilusória? Voce tem ideia de quantas pessoas tidas em sua comunidade como "gente fina", querido de todos, na verdade possuíam "contas a acertar"(dai vem a expressão vulgar "acerto de contas" para designar crimes motivados por vingança) com alguém?

O ideal é que a pessoa evite ao máximo o surgimento desses "casos", procurando viver de forma isenta em relação a aqueles com quem compartilha algo, mesmo que seja simplesmente a fila na padaria pela manhã. Ache, ou retome, seu ponto de equilíbrio, algo que certamente o ajudará a manter-se de pé em meio às "inclinações" do dia-a-dia. Isso é um forte aliado a ações mais práticas de defesa pessoal, um assunto que será levantado um pouco mais adiante.

Caso se disponha, o áudio logo abaixo é bastante pertinente a este post.



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Post:6 - Defesa Pessoal

Antes de tudo vamos frisar que defesa pessoal não é reagir à assalto. Eu prego inclusive que uma forma de defesa pessoal é ficar imóvel. Portanto, diante de uma ameaça com arma de fogo, a forma mais recomendada de comportamento é manter-se imóvel. A pergunta que vem agora à cabeça é: "para que servem então as técnicas de defesa pessoal?" O objetivo dessa matéria é conhecê-las, saber quando e como aplicá-las. Vamos a primeira técnica de defesa pessoal?

Técnica nº 1: Manter a Calma:

Quase que na totalidade dos casos em que há reação a assalto o crime passa de roubo a latrocínio (roubo seguido de morte). Isso deve-se ao despreparo da vítima, por não conhecer técnicas de Defesa Pessoal, mas sobretudo por não analisar com precisão as condições adversas em torno de si. 

Fique imóvel: Essa é inclusive a "ordem" do criminoso .

1 - Analisar com objetividade as condições em volta de si.
Cuidado com movimentos bruscos. E isso não significa que deva ficar girando, olhando em volta. Basta permanecer parado que as informações vão chegando aos pouco e voce se situa.
Observação: Mesmo pessoas preparadas tecnicamente pagaram com a vida por não analisar com precisão as condições desfavoráveis em torno de si. Estas condições podem ser a presença de um ou mais indivíduos dando apoio ao crime, posicionados na retaguarda da vítima, ou pela existência de uma segunda arma na posse do criminoso.
2 - Atender as imposições, de modo calmo (para demonstrar ao máximo clareza nos movimentos). 
Isso evitará que ele confunda seu movimento(ordenado por ele: "Me dá as chaves...etç") com uma reação sua (no sentido de tentar anular o "controle dele"). Se reagir, ele poderá cumprir o prometido quando diz, "Eu atiro!". Tenha isso em mente.
Durante um assalto as "mensagens" passados pelos criminosos são:

A=Estabelecimento do controle,
"quem está no comando?" (Essa é a primeira mensagem)
B=Verificação da controle:
 "Tem dúvida?"(Ele irá transmitir essa mensagem, caso voce se mova por iniciativa própria)
C=Retomada do controle:
"Voce quer uma demonstração?"(Caso voce relute, ele cumpre a ameaça).
D=Deixar o controle:
"Fui! Mas ainda estou no controle!"(Ao término do assalto, de posse do produto de roubo, tudo o que os criminosos querem é deixar o local. Com a abordagem da polícia, a atenção deles se voltam totalmente para as vítimas, que podem passar à condição de reféns).

Lembre-se: Não tente "dar uma de herói" quando a "casa já caiu"(em tempo inoportuno). Seja humilde, realista e sincero consigo mesmo ao analisar que, se voce tivesse algum "poder extra" o episódio do qual foi vítima (com mínimas perdas, porquanto o bem maior é a vida) sequer teria se iniciado.

Psicologicamente, no pós-assalto a pessoa pode se sentir "desmoralizada". Contudo, o único trauma insuperável é a morte. Sofrer tal agressão é revoltante, sua incidência precisar ser combatida, se possível até à escala zero nas estatísticas policiais. Contudo, esse é o papel das autoridades. Tomar uma medida de combate e reação contundente à prática do crime durante o seu desdobramento só irá agravar ainda mais o quadro em torno de si, atraindo mais problemas para si e para os outros em volta.

O confronte direto compete à polícia, com a qual o cidadão colabora importantemente ao adotar uma postura serena quando já nada pode ser feito. Antes, porém, ele pode adotar medidas preventivas, instalando sistemas auxiliares de segurança, como alarmes, câmeras e outros itens disponíveis no mercado, adotando uma postura alerta, denunciando às autoridades qualquer atividade suspeita em sua área, loja, praça ou localidade (sempre tomando o cuidado de ser discreto ao fazê-lo).

Continuação:

Post:7 - Defesa Pessoal (continuação)

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sábado, 8 de outubro de 2011

Post:5 - Retornando ao tema: "Ameaça de Morte"(Post:2)

Este post é uma continuação do assunto "Ameaça de Morte"que iniciamos no...

Post:2 - Ameaça de morte

O que muita gente talvez não saiba é que uma ameaça de morte não se dá somente quando há declarações verbais, ou seja, quando um sujeito "jura de morte" a alguém, fala ou comenta que o matará, etç. A ameaça pode se dar por meio de um gesto também, por uma ação que claramente transmita a ideia de sobreaviso do que pode acontecer. E muitas vezes, o espaço de tempo entre uma ameaça e sua concretização é muito curto. Outras vezes, as "juras de morte" se arrastam por anos até que o fato se consuma. Tudo o que tratamos no Post:2 foi sobre estar alerta para estes "sinais" emitidos e aproveitar o tempo hábil para tomar decisões que possam salvar a vida ameaçada de morte.

Estas medidas são:

Do Estado: 
"Dar parte" (comunique) à polícia, indo a um DP(Distrito Policial) e abrindo um "B.O."(Boletim de Ocorrências). O "B.O" tem finalidades juridicamente relevantes. Ou seja, é um documento muito importante para fundamentar depois uma ação processual contra aquele a quem se refere como infrator do crime que o originou. Através do "B.O" as autoridades judiciais tem descrição do fato, registro de horários, relação de veículos, meios e objetos, descrição de pessoas envolvidas, identificação de partes, ações e etc."

Pena: O Código Penal do Brasil tipifica não apenas a ameaça de morte, mas qualquer ameaça de causar um mal injusto e grave, no artigo 147, com punição de seis meses a um ano de detenção, ou multa.

Estes são os meios legais de defesa própria do indivíduo ameaçado de morte. Como acima foi dito, o indivíduo que ameaça a vida de alguém pode pegar de seis meses a um ano de detenção. O que o Estado não garante é que nestes seis meses ou 1 ano ele mude de ideia. Logo, mesmo contando com todos os recursos legais em busca de proteção a vítima(sim, porque ameaça é crime) não se pode simplesmente esperar que os motivos alegados pelo autor da ameça se atenuem com o passar do tempo. Ele precisa fazer algo. Eu sugiro uma mudança de endereço, o mais rápido, distante e sigiloso possível, claro,depois de fazer um Boletim de Ocorrências contra o autor e, naturalmente, na medida do impossível. Sim, pois não se pode transigir em alternativas que deixem a pessoa ameaçada de morte ao alcance do autor da ameaça. Ela se concretiza (lembra do que eu disse lá atrás?) em 99,99% dos casos.

É de conhecimento geral, através dos noticiários em tempos de informação globalizada, haverem casos em que o Estado falha na proteção à pessoa. Primeiro, o Estado Brasileiro tem falhado na questão da Segurança Pública. Segundo, muito mais tem sido falho em casos especiais de proteção à pessoa.

Da própria pessoa:
Embora entenda-se que, a princípio, o propósito das ameaças de morte seja o de constranger ou dissuadir a vítima, ou ainda, uma forma de coerção, não se deve esperar para ver o exato momento em que "constrangimento", "dissuasão" e "coerção" se transformam em projéteis inflamados e velozes(a maioria dos assassinatos se dão por uso de armas de fogo). É uma mudança radical demais, para a qual ninguém está apto a resistir e FICAR VIVO  para reavaliar conceitos.

É fundamental que a pessoa que sofre ameaça de morte não se exponha ao autor da ameaça. Isso pode ser feito com um trabalho de escolta(além da justiça determinar restrição de aproximação entre a vítima e o autor da ameaça) ou, da forma mais simples, mudando de endereço (mas, mudando mesmo!). Nos casos de escolta, falaremos em um post especial. Também voltaremos a este assunto para falar de casos específicos de Defesa Pessoal e  Segurança Particular. 

Em breve, colocarei aqui um link para o próximo post a abordar o assunto "Ameaça de Morte".
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Post:4 - Situações de desinteligências

Segundo recentes dados da ONU (Organização da Nações Unidas) a taxa de homicídios no Brasil só é superada pelas da Colômbia e Venezuela. Em números absolutos (números não relativos) o Brasil é record mundial de homicídios. O perfil das vítimas é o homem jovem. São 22,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes. No Estado das Alagoas, no Nordeste, esse número sobe para 60 homicídios por 100 mil habitantes.

O Estado de São Paulo mostrou um declínio no número de assassinatos de 20,8% para 10,8% nos últimos cinco anos (de 2006 a 2011), segundo dados do Ministério da Justiça. É como já dissemos: São Paulo tem o maior efetivo de policiais militares do país(138 mil), número que praticamente se equipara ao de militares de todo o exército norte-americano, sendo que esse número ainda é dobrado pela presença de agentes de segurança privada(vigilantes), que é de 140.000, segundo o sindicato da categoria. Não há como negar que quantidade somada à qualidade é muito importante para um bom resultado como este.

Os crimes são sustentados por dois fatores que podem atuar juntos, ou em separado, na base das principais ocorrências: São eles Desigualdade Social e Sensação de Impunidade.

Desigualdade social.
Os problemas sociais ainda são fatores consideráveis na elevação ou manutenção dos índices de criminalidade no país. Segundo estudos elaborados pela ONU, "onde há desigualdade social, poucos ricos e muitos pobres, o risco de crimes violentos é quatro vezes maior". Voce poderia até ligar os fatos da seguinte forma, analisando que, nestes casos, os crimes são de latrocínios, sequestros e confrontos de criminosos com a polícia, mas convém dizer que essa ligação não é necessariamente nesta ordem.  A própria situação econômica e socialmente desequilibrada cria um campo de tensão nestas áreas. Por fim, muitos dos homicídios são mais resultantes dessa tensão do que das práticas criminosas relativamente planejadas, ou do crime organizado propriamente dito.

Num exemplo muito prático, o cara da esquina pode até ter sacado a arma e assassinado o vizinho em um bar por um motivo torpe qualquer, passional ou banal, que seja. No entanto, questões sociais estão na base das razões que o levaram a adotar uma arma como uso habitual ou eventual. Seu comportamento é, em parte, produto do seu meio. E esse meio é tenso pelo desequilíbrio econômico em que ele cresceu, ou viveu, e no qual parece ceder aos apelos mais comuns. A violência segue assim, hora como causa, hora como consequência. Hora através do "mocinho", hora pelas mãos dos "bandidos". Ela chega ao ponto de confundir as mentes das pessoas inseridas em seu contexto, as quais invariavelmente insurgem com protestos(muitas vezes contra a presença policial) como se a violência fosse um vilão responsável pela própria característica "pálida" das comunidades, como se seus agentes não pudessem responder por seus atos, ou ainda como se não houvesse-lhes escolhas melhores para serem adotadas como forma de lidar com aspectos inerentes da vida.

Sensação de impunidade.
Um outro fator que muito contribui com a manutenção dos índices de crimes no pais é a sensação de impunidade, um termo mal aplicado, porquanto não existe só uma "sensação" de impunidade, mas sim uma constatação dela. Não é tão urgente que as leis no país sejam reformadas quanto é urgentíssimo que elas sejam aplicadas, mesmo como estão. Violência não se combate por meio de decretos, e sim através de medidas claras como a própria lei tem sido clara. Os criminosos não cometem seus atos por desconhecerem a lei, antes os cometem conhecendo-a "de có e salteado", como reza o dito popular.

O próprio crime organizado é alimentado pela desigualdade social. O narcotráfico e o contrabando de armas arregimentam os jovens das comunidades carentes, favelas e morros das periferias das grandes metrópoles veem no crime organizado uma forma de resposta à desigualdade social, à falta de oportunidade dada a carência de projetos sociais que abranjam de fato a população, não apenas um número insignificante de garotos que posem nas emissoras de TV.

Muitos jovens se sentem vendidos quando acolhidos por estes programas extremamente limitados, porquanto sabem muito bem que uma grande maioria não é assistida por uma questão de falta de recursos e capacidade de alcance para todos. Eles pensam: "se for para estar bem apesar dos outros e da própria realidade em que continuam vivendo, o tráfico lhes serve muito bem." Nestes processos sociais ocorre, embora em escala, gênero e grau distintos, o que ocorriam aos negros tirados da senzala para a Casa Grande do senhor de escravos. Os gritos da senzala continuavam sendo ouvidos por eles, que embora resgatados de suas realidades, estas mesmas realidades não dava-lhes descanso.

Estes ambientes instáveis, desiguais e tensos são a plataforma de toda a violência, seja ela caracterizada de crime organizado, passional ou ocasional (como as situações de desinteligência). Em resumo o que acontece é a perda dos reais valores à dignidade humana. Algo que, por sua vez, já nem se sabe o que vem a ser.
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Post:3 - Efetivo Policial

O número de policiais civis em algumas capitais e cidades brasileiras chega a ser de 1 para cada 9.775 habitantes. Voce pode até sentir-se seguro com uma cobertura semelhante a esta. Porém, é necessário fazer avaliações complementares:
Vamos supor que uma metrópole tenha a densidade populacional de São Paulo(165,4 hab./km2 em 2006). Isso equivale dizer que haveria um policial civil para cuidar de uma área geográfica com algo em torno de 60 Km2( 60 quilômetro quadrados). Para cruzar em linha reta de um extremo a outro este policial teria que percorrer algo em torno de 7 a 8 quilômetros. O que me diz? Se voce precisar de ama ação policial dentro dos próximos 60 segundos, quais são as chances ao seu favor? O tempo estaria do lado de quem? Do seu lado apenas se voce tiver estratégia.
Observação: É claro que quem faz o policiamento ostensivo e preventivo é a Polícia Militar. Embora assim, a cobertura não é tão diferente do exemplo aqui tomado.
Continuando, só para tornar ainda mais complexa nossa análise, quais são as chances desse policial, único a serviço de 9,775 habitantes, encontrar-se ocupado com um dos outros 7.974 cidadãos do seu raio geográfico quando voce precisar dele? Dá para voce entrar nessa "fila de espera" com uma arma apontada para a sua cabeça?

Tudo fica ainda pior se voce usar essa mesma distribuição policial por uma área com menos densidade demográfica, como alguns estados no Norte do Brasil e do Contro-oeste. Dessa forma haveria uma área mais extensa a ser protegida(e percorrida) pelo policial.

Todo tempo hábil é prejudicado quando voce nota que, para patrulhar uma área de 60 quilômetros quadrados em 1 minuto um policial precisaria precisaria percorrer 1.000 metros por segundo. Impossível, sob qualquer circunstância. Ora, em casos de violência um minuto pode ser o fator separador entre a vida e a morte.

Não podemos acreditar que a polícia estará ao dispor de todos os cidadãos (de seu perímetro) ao mesmo tempo e em tempo hábil para socorrer urgências. Voce sabe disso. Todos sabem. Os criminosos apostam nessa lacuna.

O que se levanta aqui não é a atuação da polícia, bem como de todas as instituições de combate, prevenção e repressão ao crime. Os olhos da nossa preocupação se voltam para o interior dos espaços restritos, das áreas que não estão patentes aos olhos atentos da ronda ostensiva, do policiamento comunitário, da ação e atuação policial. E para o crime a lacuna deixada pela repressão policial não diz respeito a um lugar geográfico exatamente, mas sim a um espaço conceitual vazio, sempre presente em qualquer sociedade ao redor do mundo. E este espaço conceitual vazio é: se eu estou aqui, não estou lá. Se eu estou lá, não estou aqui. É retórico mas quer dizer que sempre haverá uma ausência por um momento, uma fissura na trama do tecido da segurança pública como um todo.

Nestes espaços um pouco de estratégia e atenção fazem toda a diferença. Para se ter uma ideia, no Brasil mais de 800.000 vigilantes profissionais tentam minimizar, com ações preventivas, a distância entre a necessidade de segurança e a atuação efetiva. Somando esse número a aqueles não profissionalizados (que atuam na informalidade), são mais de um milhão e meio de homens armados, protegendo patrimônios, bens e pessoas. Um número que se aproxima do efetivo do exército dos Estados Unidos. Só no Estado de São Paulo(maior da Federação), 140.000 profissionais fazem a segurança nas áreas privadas e internas, em indústrias, condomínios e escoltas armadas. Para é um número maior que o de Policiais Militares (138.000).

Eu diria que Segurança Pública é um assunto do Estado. Segurança Privada é um recurso das Organizações Comerciais, mas Segurança Pessoal é um assunto para aqueles que querem FICAR VIVOS.
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Post:2 - Ameaça de morte

A frase "cão que ladra(ou que late) não morde" na considerável maioria dos casos onde se aplica (nas ameaças) é irremediavelmente contrariada pelos fatos. Em outras palavras, além de ser "mordedor" o cão ataca, sim, ainda que seja apenas para provar o contrário. E por falar em "covardia", vale lembrar que a modalidade mais comum em homicídios é sem chance de defesa para a vítima.

Considere este tópicos:
a - Depois do latido vem a mordida.
b - Além dos motivos anteriores, agora o cão morderá também para confirmar seu latido.
c - O cão que late também morde, só que costuma morder por trás, no calcanhar.
d - Depois que late, o cão só sossega quando morder.

Falamos acima de uma forma figurativa e bastante simples. O que dissemos é que: Não espere inerte, parado ou passivo diante de uma ameaça! (ela tem 99,99% de chances para se cumprir). Não dê sua vida e troca da certeza sobre isso que estamos afirmando. Neste momento custa apenas crer. Depois, essa informação poderá fazer sentido demasiadamente tarde.

Há circunstâncias em que a pessoa ameaçada de morte ironicamente tem bastante tempo para tomar várias medidas, a fim de FICAR VIVO, mas não o faz por desconsiderar a probabilidade de que a ameaça se concretize. E por que isso se dá desta forma? Considere que o ser humano é propenso a acreditar no que quer acreditar. E por alguma razão, essas pessoas não querem arcar com as medidas a serem adotadas, porque invariavelmente teriam que mexer na situação cômoda em que vivem. Essa busca por conforto, em meio ao infortúnio, lhes serve melhor que a perspectiva negativa da morte. E esse abandono do medo (instinto de sobrevivência perdido) lhes entrega a aquilo que mais temiam: a morte.

Como no capítulo anterior eu alertei: minha intensão não é a de culpar ninguém, nem ainda macular a "memória" de ninguém diante de seus parentes, familiares e amigos. A intensão é alertar os vivos, porque os mortos (in)felizmente não precisam mais de alerta. Porém, o que vejo é uma margem de probabilidade para analisarmos que, de certa forma, algumas vítimas abriram mão de medidas em favor da própria segurança, tenha sido assim por falta de capacidade de decisão ou por ausência de conhecimento. E o que estou oferecendo aqui é isso, conhecimento.

Um pouco mais adiante eu irei retornar a este tema especificando quais medidas se ajustam a cada situação.

Post:5 - Retomando o tema: "Ameaça de Morte"(Post:2)

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Post:1 - Única Chance

Se as vítimas da violência tivessem uma única oportunidade de rever suas posturas, um minuto que fosse, antes de serem afetadas pelas ações que as aniquilaram elas mudariam qualquer coisa. Elas mudariam o caminho a ser percorrido, as palavras ditas, os gestos, os horários de suas saídas ou chegadas, de qualquer lugar que fosse. A possibilidade de alterar quaisquer de suas ações no passado lhes pareceria agora suficiente para mudarem também os fatos resultantes daquelas ações.

Essas análises beiram a possibilidade de que a culpa seja alimentada. Mas nossa intenção não é prejudicar, com uma suposta culta, a imagem de alguém que tenha vítima de violência, assim como também é impossível salvá-las dos fatos já acontecidos. Mortos não sentem culpa nem dor, não pensam nem podem mais sofrer nada das coisas deste mundo. E, se isso nos serve de consolo, ao mesmo tempo nos alerta que os vivos, estes sim, estão sujeitos a qualquer dos males pensados ou jamais supostos.

Há uma série de medidas a serem tomadas, e eu diria que a mais sutil delas é voce estar aqui, interessado neste projeto de esclarecimento e apoio à necessidade de conhecimentos simples, mas eficazes, ao alcance das pessoas mais comuns e das mais variadas classes sociais, sobre como FICAR VIVO. Uma série de coisas que traremos neste trabalho para servir de braço forte a todos aqueles que querem FICAR VIVOS.

Claro que a nós atribuem mera utopia, mas segurança é uma questão de estratégias. Muito daquilo que já aconteceu poderia ser evitado. Porém, mais ainda do que está por vir poderá passar pelo crivo das nossas decisões, do nosso olhar atento, da nossa segurança inteligente.

Estamos ainda no primeiro post de uma série que tratará sobre o assunto segurança nos mais minuciosos detalhes. É por isso que já agora buscamos mostrar por inúmeras razões quão importante é sua participação no desenvolvimento de uma estratégia que o manterá mais e melhor preparado para as situações do dia-a-dia que qualquer pessoa que não possua esse conhecimento ou algo equivalente.
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