Vamos supor que uma metrópole tenha a densidade populacional de São Paulo(165,4 hab./km2 em 2006). Isso equivale dizer que haveria um policial civil para cuidar de uma área geográfica com algo em torno de 60 Km2( 60 quilômetro quadrados). Para cruzar em linha reta de um extremo a outro este policial teria que percorrer algo em torno de 7 a 8 quilômetros. O que me diz? Se voce precisar de ama ação policial dentro dos próximos 60 segundos, quais são as chances ao seu favor? O tempo estaria do lado de quem? Do seu lado apenas se voce tiver estratégia.
Observação: É claro que quem faz o policiamento ostensivo e preventivo é a Polícia Militar. Embora assim, a cobertura não é tão diferente do exemplo aqui tomado.Continuando, só para tornar ainda mais complexa nossa análise, quais são as chances desse policial, único a serviço de 9,775 habitantes, encontrar-se ocupado com um dos outros 7.974 cidadãos do seu raio geográfico quando voce precisar dele? Dá para voce entrar nessa "fila de espera" com uma arma apontada para a sua cabeça?
Tudo fica ainda pior se voce usar essa mesma distribuição policial por uma área com menos densidade demográfica, como alguns estados no Norte do Brasil e do Contro-oeste. Dessa forma haveria uma área mais extensa a ser protegida(e percorrida) pelo policial.
Todo tempo hábil é prejudicado quando voce nota que, para patrulhar uma área de 60 quilômetros quadrados em 1 minuto um policial precisaria precisaria percorrer 1.000 metros por segundo. Impossível, sob qualquer circunstância. Ora, em casos de violência um minuto pode ser o fator separador entre a vida e a morte.
Não podemos acreditar que a polícia estará ao dispor de todos os cidadãos (de seu perímetro) ao mesmo tempo e em tempo hábil para socorrer urgências. Voce sabe disso. Todos sabem. Os criminosos apostam nessa lacuna.
O que se levanta aqui não é a atuação da polícia, bem como de todas as instituições de combate, prevenção e repressão ao crime. Os olhos da nossa preocupação se voltam para o interior dos espaços restritos, das áreas que não estão patentes aos olhos atentos da ronda ostensiva, do policiamento comunitário, da ação e atuação policial. E para o crime a lacuna deixada pela repressão policial não diz respeito a um lugar geográfico exatamente, mas sim a um espaço conceitual vazio, sempre presente em qualquer sociedade ao redor do mundo. E este espaço conceitual vazio é: se eu estou aqui, não estou lá. Se eu estou lá, não estou aqui. É retórico mas quer dizer que sempre haverá uma ausência por um momento, uma fissura na trama do tecido da segurança pública como um todo.
Nestes espaços um pouco de estratégia e atenção fazem toda a diferença. Para se ter uma ideia, no Brasil mais de 800.000 vigilantes profissionais tentam minimizar, com ações preventivas, a distância entre a necessidade de segurança e a atuação efetiva. Somando esse número a aqueles não profissionalizados (que atuam na informalidade), são mais de um milhão e meio de homens armados, protegendo patrimônios, bens e pessoas. Um número que se aproxima do efetivo do exército dos Estados Unidos. Só no Estado de São Paulo(maior da Federação), 140.000 profissionais fazem a segurança nas áreas privadas e internas, em indústrias, condomínios e escoltas armadas. Para é um número maior que o de Policiais Militares (138.000).
Eu diria que Segurança Pública é um assunto do Estado. Segurança Privada é um recurso das Organizações Comerciais, mas Segurança Pessoal é um assunto para aqueles que querem FICAR VIVOS.