Segundo recentes dados da ONU (Organização da Nações Unidas) a taxa de homicídios no Brasil só é superada pelas da Colômbia e Venezuela. Em números absolutos (números não relativos) o Brasil é record mundial de homicídios. O perfil das vítimas é o homem jovem. São 22,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes. No Estado das Alagoas, no Nordeste, esse número sobe para 60 homicídios por 100 mil habitantes.
O Estado de São Paulo mostrou um declínio no número de assassinatos de 20,8% para 10,8% nos últimos cinco anos (de 2006 a 2011), segundo dados do Ministério da Justiça. É como já dissemos: São Paulo tem o maior efetivo de policiais militares do país(138 mil), número que praticamente se equipara ao de militares de todo o exército norte-americano, sendo que esse número ainda é dobrado pela presença de agentes de segurança privada(vigilantes), que é de 140.000, segundo o sindicato da categoria. Não há como negar que quantidade somada à qualidade é muito importante para um bom resultado como este.
Os crimes são sustentados por dois fatores que podem atuar juntos, ou em separado, na base das principais ocorrências: São eles Desigualdade Social e Sensação de Impunidade.
Desigualdade social.
Os problemas sociais ainda são fatores consideráveis na elevação ou manutenção dos índices de criminalidade no país. Segundo estudos elaborados pela ONU, "onde há desigualdade social, poucos ricos e muitos pobres, o risco de crimes violentos é quatro vezes maior". Voce poderia até ligar os fatos da seguinte forma, analisando que, nestes casos, os crimes são de latrocínios, sequestros e confrontos de criminosos com a polícia, mas convém dizer que essa ligação não é necessariamente nesta ordem. A própria situação econômica e socialmente desequilibrada cria um campo de tensão nestas áreas. Por fim, muitos dos homicídios são mais resultantes dessa tensão do que das práticas criminosas relativamente planejadas, ou do crime organizado propriamente dito.
Num exemplo muito prático, o cara da esquina pode até ter sacado a arma e assassinado o vizinho em um bar por um motivo torpe qualquer, passional ou banal, que seja. No entanto, questões sociais estão na base das razões que o levaram a adotar uma arma como uso habitual ou eventual. Seu comportamento é, em parte, produto do seu meio. E esse meio é tenso pelo desequilíbrio econômico em que ele cresceu, ou viveu, e no qual parece ceder aos apelos mais comuns. A violência segue assim, hora como causa, hora como consequência. Hora através do "mocinho", hora pelas mãos dos "bandidos". Ela chega ao ponto de confundir as mentes das pessoas inseridas em seu contexto, as quais invariavelmente insurgem com protestos(muitas vezes contra a presença policial) como se a violência fosse um vilão responsável pela própria característica "pálida" das comunidades, como se seus agentes não pudessem responder por seus atos, ou ainda como se não houvesse-lhes escolhas melhores para serem adotadas como forma de lidar com aspectos inerentes da vida.
Sensação de impunidade.
Um outro fator que muito contribui com a manutenção dos índices de crimes no pais é a sensação de impunidade, um termo mal aplicado, porquanto não existe só uma "sensação" de impunidade, mas sim uma constatação dela. Não é tão urgente que as leis no país sejam reformadas quanto é urgentíssimo que elas sejam aplicadas, mesmo como estão. Violência não se combate por meio de decretos, e sim através de medidas claras como a própria lei tem sido clara. Os criminosos não cometem seus atos por desconhecerem a lei, antes os cometem conhecendo-a "de có e salteado", como reza o dito popular.
O próprio crime organizado é alimentado pela desigualdade social. O narcotráfico e o contrabando de armas arregimentam os jovens das comunidades carentes, favelas e morros das periferias das grandes metrópoles veem no crime organizado uma forma de resposta à desigualdade social, à falta de oportunidade dada a carência de projetos sociais que abranjam de fato a população, não apenas um número insignificante de garotos que posem nas emissoras de TV.
Muitos jovens se sentem vendidos quando acolhidos por estes programas extremamente limitados, porquanto sabem muito bem que uma grande maioria não é assistida por uma questão de falta de recursos e capacidade de alcance para todos. Eles pensam: "se for para estar bem apesar dos outros e da própria realidade em que continuam vivendo, o tráfico lhes serve muito bem." Nestes processos sociais ocorre, embora em escala, gênero e grau distintos, o que ocorriam aos negros tirados da senzala para a Casa Grande do senhor de escravos. Os gritos da senzala continuavam sendo ouvidos por eles, que embora resgatados de suas realidades, estas mesmas realidades não dava-lhes descanso.
Estes ambientes instáveis, desiguais e tensos são a plataforma de toda a violência, seja ela caracterizada de crime organizado, passional ou ocasional (como as situações de desinteligência). Em resumo o que acontece é a perda dos reais valores à dignidade humana. Algo que, por sua vez, já nem se sabe o que vem a ser.
